Dez
1
Não somos insubstituíveis
Por Paula Almeida Lapa em Autores convidados, Mar | 1 comentário
por Mar (2 filhos)
Uma amiga grávida, da primeira filha. Eu tão contente por ela, por eles. Quero falar da barriga, da ecografia, da data prevista para o parto (início de Maio). E ela fala-me no trabalho. Que já marcou um monte de coisas até ao final de Abril. Que já disse a quem dela depende que só contem com ela até aí, mas que prometeu aos chefes que faria isto e aquilo até essa data.
Sabes, digo-lhe, isso não foi muito boa ideia. Que sim, que tolice, que gravidez não é doença, e blá, blá, blá. Mas não foi mesmo boa ideia. É que a partir do momento em que nos cresce um filho na barriga, há que aceitar verdades duras, daquelas que as mulheres-modernas-trabalhadoras-responsáveis não gostam nada de ouvir. Primeiro, não controlamos tudo. Há um milhar de imponderáveis nas gravidezes e nas vidas dos filhos, precalços, consultas, sustos, doenças, uma imensidão de coisas que não prevemos. Segundo, por causa delas, vamos falhar. A nível profissional, e por muito que custe, vai haver um dia em que faltamos ou chegamos tarde, em que não fazemos nada de jeito porque a cabeça está noutro lugar, em que temos que sair a voar. Terceiro, somos substituíveis. Toda a gente é substituível.
E digo-lhe isto devagarinho, com palavras doces, com a experiência de quem passou duas gravidezes com ameaças de parto prematuro (muito prematuro) e meses em casa. E ela muito zangada, que as tarefas x, y e z, só ela é que as pode fazer, não há mais ninguém, não há, e que a instituição não funciona bem sem ela. Há, sim, querida. Há sempre. O mais certo é passarmos meses em casa, voltarmos e descobrirmos que a instituição afinal sobreviveu, e, olha, até benzinho. Podemos achar que o nosso trabalho está mal feito, que somos melhores, e tudo, e tudo, mas a verdade é que o serviço foi levando, e que, afinal, não precisavam assim tanto de nós.
Só somos insubstituíveis como mães (e pais) dos nossos filhos. Se toda a gente aceitasse isto, se percebesse o quão real é este facto, haveria muito menos dramas na conjugação entre filhos e trabalho. Porque não temos mesmo que estar em todas as reuniões, nem sair tarde todos os dias, nem ser sempre nós a verificar tudo. Nem nós nem ninguém, que substituíveis somos todos, do chefe ao empregado mais baixo na hierarquia. Se toda a gente aceitasse isto, o mundo seria melhor. Teria menos mães e pais com sentimentos de culpa, porque estiveram ali, mas não puderam estar lá. Menos dramas, discussões, confusões. E cabe a quem pode, a quem está mais protegido, começar. Cabe às muitas mãe bem sucedidas que conheço, e que acham que uma empregada as substitui nos abraços e nos banhos, mas que outra colega não o pode fazer no local de trabalho. Cabe a quem tem empregos mais seguros, contratos sem termo, vínculos menos precários. A quem tem mais educação, formação e, por isso, mais obrigação de conhecer os seus direitos.
Fez-me confusão, a minha amiga zangada, e a afirmação de que vai trabalhar até ao fim, sim senhora, custe o que custar. Talvez vá, talvez não. Mas a maternidade vai certamente ensiná-la a fazer menos promessas.
Nov
28
- Vários artigos na Visão sobre alimentação saudável, prática e barata entre a miudagem.
- Exposição de ilustração finlandesa, em Lisboa (via Rute Reimão)
- Na Casa do Rio, no Porto, este fim-de-semana: os Workshops “Dançar com a Mamã” e “Pano Porta Bebé”.
- Congresso internacional da Promoção da Leitura (via Bruaá)
Nov
27
Cantiga à Quinta*
Por Paula Almeida Lapa em música | 2 comentários
Hoje, uma das mais engraçadas do album “Arca de Noé 2“.
“O Porquinho” de Vinicius de Moraes
O Porquinho
Muito prazer, sou o porquinho
Eu te alimento também
Meu couro bem tostadinho
Quem é que não sabe o sabor que tem
Se você cresce um pouquinho
O mérito, eu sei
Cabe a mim também
Se quiser, me chame
Te darei salame
E a mortadela
Branca, rosa e bela
Num pãozinho quente
Continuando o assunto
Te darei presunto
E na feijoada
Mesmo requentada
Agrado a toda gente
Sendo um porquinho informado
O meu destino bem sei
Depois de estar bem tostado
Fritinho ou assado
Eu partirei
Com a tia vaca do lado
Vestido de anjinho
Pro céu voarei
Do rabo ao focinho
Sou todo toicinho
Bota malagueta
Em minha costeleta
Numa gordurinha
Que coisa maluca
Minha pururuca
É uma beleza
Minha calabresa
No azeite fritinha
(*esta é uma tentativa de iniciar nova rubrica - uma canção por semana para ouvir com os miúdos)
Nov
26
Natal colorido
Por Paula Almeida Lapa em Ideias | 1 comentário

Este ano, os nossos postais estão a ficar bem diferentes. Gosto especialmente das cores.
Arranjei um caderno de folhas grandes de papel canelado (uma de cada cor) e uns pedaços de feltro de quatro cores diferentes. O maior investimento foi para uma coisa que nunca tivémos: um furador em forma de floco de neve.
Recortei os rectângulos para os postais. Os flocos são furados no papel canelado. As bolinhas são furadas com um furador vulgar - também no papel canelado. As figuras de feltro são desenhadas a esferográfica e depois recortadas. Por mim, a pedido da filha, ou pela própria, conforme as vontades.
Todas as composições estiveram a cargo dela. Usámos sempre cola branca - fica tudo besuntado mas depois fica tudo transparente, por magia. E os miúdos adoram tudo o que é magia!
E a minha tem uma especial predilecção pelas cores estrambólicas: neve vermelha, pinheiros cor-de-rosa e nuvens amarelas. ![]()
Nov
21
A escola ideal depende também dos pais
Por Paula Almeida Lapa em Actualidade, Livros | 1 comentário
O livro “A Escola Ideal” de Bárbara Wong foi lançado no passado domingo. A jornalista e mãe de dois filhos conversou com o Miudagem sobre esta “viagem” ao sistema de ensino educativo português. E ainda deixou mostrar uma das pequenas histórias que lá são relatadas.

Ver um título como este é achar que a autora foi, no mínimo, ambiciosa: pode lá isso ser possível, existir uma escola ideal? Mas Bárbara Wong, jornalista, esclareceu directamente para o Miudagem: “a escola ideal é a que nós próprios imaginamos, pode ser aquela que construimos na nossa cabeça, a partir da nossa própria experiência como alunos ou do que vamos vendo e vivendo ao longo do tempo. Pode ser um milhão de coisas, tantas quanto as pessoas que existem e pensam sobre o assunto!”
Na verdade, Bárbara Wong deu-nos o seu próprio exemplo. Os seus dois filhos estão na escola que lhe parece ser a ideal “porque os ouve, os respeita, porque ouve os encarregados de educação e pede-lhes para se envolverem, porque oferece uma educação completa e não só as matérias previstas pelo Ministério da Educação”. No entanto, outros pais decidiram retirar de lá os seus filhos por não acharem aquela a melhor escola.
Nov
20
Soltas
Por Paula Almeida Lapa em Sugestões | 1 comentário
- Falta a vermelho: algum debate avançado na caixa de comentários.
- Por causa do tema “bebés ecológicos”, descobri o Centro de Educação Ambiental da Águas do Douro e Paiva. Ainda pensei que se tratasse de uma instituição mais minha vizinha, mas afinal é preciso ir para o litoral, como de costume…
E vale a pena mostrar aos miúdos o Sítio do Topas.
- O próximo Correntes d’Escrita (em Fevereiro de 2009, na Póvoa) organiza um concurso literário para os mais novos. Ver mais informações aqui.
Nov
18
Bebés ecológicos
Por Paula Almeida Lapa em Actualidade | 13 comentários
Rita Quintela é uma mãe-mais-do-que-experiente. Este ano, o 4º filho chegou enquanto a Rita estava mergulhada em ondas ecológicas que a fizeram experimentar o que jamais tinha testado com as outras filhas. Quase quatro meses depois, já é possível fazer um balanço acerca da eficácia das diversas “eco-coisas” em que mãe e bebé se envolveram. Nem tudo correu bem, mas também nem tudo correu mal! Esta foi a nossa conversa, via e-mail.
- Em Maio, escreveste: “Aproveitei para costurar noventa toalhitas de pano e uma dúzia de discos de amamentação. Tudo pronto a usar e a reutilizar.” Entretanto, já disseste que esta tua “alucinação eco-hormonal” de rectângulos de flanela e feltro resultaram mesmo, não foi?
- As toalhitas são formidáveis! De manhã molho e espremo umas 15 (só com água da torneira) e coloco na caixa de toalhitas “normais”. Vou usando ao longo do dia quando mudo fraldas em casa. Na rua uso das descartáveis.
- Por outro lado, no Mãe-Galinha, já descreveste o fracasso das fraldas reutilizáveis…
- É verdade, fiquei mesmo desiludida, caramba! Pouco confortáveis, muito volumosas e, enfim, muitíssimo trabalho. Gostava de experimentar outra vez mas são muito caras, implicam um investimento grande… Não sei se tenho coragem. Teria que tentar outra marca, fazer pesquisas e, acima de tudo, ver com as mãos, o que é difícil porque a maior parte deste tipo de fraldas não se vendem em Portugal e têm que ser compradas on-line.
- Se o único contra fosse o trabalho que essas fraldas dão (e não o desconforto do bebé), continuarias a dar-te ao trabalho?
- Não sei. Depois de ter postado acerca do mal que me saí nesta experiência, recebi dezenas de mails de incentivo a uma nova tentaiva - outras marcas, alguns truques, umas lufadas de eco-consciência. Mas não sei mesmo. Sobretudo, as descartáveis são mais simples e mais rápidas de pôr e tirar; e eu preciso tanto de tempo!
- Quando anunciaste no blog que ias experimentar as fraldas reutilizáveis, não faltaram comentários sobre os aspectos mais negativos e alguns testemunhos de desistências. Tinhas mesmo que passar pela experiência, não era?
- Pois, não liguei mesmo nada a quem me avisou do que podia correr mal. Estava inundada de
hormonas ecológicas! Ao 4º filho, já não há grandes maravilhas numa barriga enorme e pés inchados. Portanto, acho que as minhas hormonas me viraram para a consciência ecológica. Por pouco não me filiei no Greenpeace. Achei mesmo que todas as mães que me estavam a abrir os olhos estavam, na altura, a querer que as minhas crianças crescessem num mundo sujo e poluído (credo… o que a
gravidez nos faz!)
- Foi nesse “delírio” também que costuraste discos de amamentação, como o fizeste? Resultaram?
- Os discos saíram mesmo um flop. Fiz assim - recortei círculos de turco e círculos de tecido fino de
gabardine. Depois costurei um círculo ao outro. [na foto] Mas não ficaram impermeáveis… Aliás, os discos reutilizáveis à venda no mercado (da Medela, por exemplo), que me emprestaram entretanto, também são pouco eficazes. Tenho usado dos descartáveis.
- Mesmo assim, há alguma eco-novidade de que tenhas ouvido falar já depois desta gravidez e que tens pena de não ter tentado?
- Na onda hippie das fraldas ecológicas, comprei um sling. É uma tendência muito naturista, esta coisa do contacto mãe-bebé. Muito bom. Aconselho mesmo. Tentaram fazer-me a cabeça para experimentar massagens e yoga para bebés. De facto, faço massagens ao S. todos os dias depois do banho. Ele tem muitas cócegas e por isso nem se descontrai. Mas nunca fiz nenhum curso, faço as
massagens por intuição, como fiz sempre nas Marias. Yoga era bom era para mim! Para ele acho que não.
——
Alguns links:
The Baby Orchard, Thirsties Baby, Eco Bebés (fornece diferentes marcas), Bambinomio (as que experimentou), EcologicalKids
Nov
14
O terceiro aniversário de uma filha, a doencita da outra e afazeres diversos distraíram-me por completo de um evento que tenho muita pena de perder (e já só há este sábado para quem for a tempo):
Vale a pena prestar atenção à Agenda do Teatro do Campo Alegre, no Porto. Além de espectáculos infantis, há várias acções dirigidas a miúdos mais crescidos (a partir dos 6 ou dos 8 ano e para a miudagem do secundário, por exemplo)
Nov
13
“Treino” só para pais
Por Paula Almeida Lapa em Divulgação | Comente

Ângela Coelho e Sandra Azevedo acabam de trazer para Portugal a ideia de “Family Coaching“. Trouxeram-na do Reino Unido, uma área de trabalho ainda no início também lá. E é, aliás, esse o nome da empresa que criaram para organizar workshops dirigidos a pais.
É algo de novo e, segundo as psicólogas contaram ao Miudagem, têm tido reacções variadas: “umas vezes de entusiasmo, outras de curiosidade, outras do género “isso já existe” (e referem-se à formação de pais, escolas de pais). Por isso, estabelecemos como um dos objectivos nesta fase inicial da nossa actividade a divulgação e informação do que é o Coaching Parental. Acreditamos que deste modo as pessoas poderão reflectir se se identificam com esta abordagem, se lhes faz sentido.” O conceito de Coaching Parental está explicado no site.
As responsáveis pela Family Coaching estão bem conscientes de que os pais têm já imenso “treino”. Aliás, dizem, “os nossos workshops começam exactamente por aí - por fazer os pais pararem e pensarem na enorme quantidade de coisas boas que fazem. Começamos por sintonizá-los num modo de pensar positivo.”
Nov
11
Na semana passada, finalmente, estive a ver na minha mão e com olhos de ver muitos dos livros infantis que têm sido editados nos últimos tempos. Fiz já algumas compras para o Natal.
Passou-me pelas mãos, e pelos olhos já cansados, o livro da Alice Vieira “A Charada da Bicharada” (Texto Editores). O meu primeiro impulso foi achar que aquela poesia era demasiado elaborada ainda para a minha filha mais velha. Os desenhos eram bonitos, achei, mas não fiquei convencida.
Ontem, surpreendi-me ao ler a sempre atenta Rute Reimão. Por coincidência, hoje dei de caras com o mesmo livro quando fui ao supermercado pela manhã. Agarrei-o com novo interesse e com esta frase da Rute na minha cabeça: “as ilustrações são aquilo que na minha opinião, deviam ser sempre, informação adicional, que não se deviam apenas cingir às palavras escritas”.
E foi mesmo uma revelação: são as ilustrações de Madalena Matoso que resolvem as sinuosas adivinhas de Alice Vieira! Comprei e será a minha oferta de Natal para a sala da minha filha.
