Jul
16
Comida: A bem ou a mal, 2
Por Paula Almeida Lapa em Opinião | 2 comentários
Vou a meio do livro e a criança teve um comportamento tão exemplar quanto inesperado no jantar de ontem. Comeu três (3!) pratos de sopa e explicou, com detalhe, que foi no dia em que a educadora não a deixou deitar fora os bocadinhos (minúsculos) de legumes que aprendeu a fazer um esforço grande e a engolir tudo de vez e que agora não é a última na escola e que come tudo até ao fim.
Eu não fiz nada. Quer dizer: fomos todos juntos ver o espectáculo “1, 2, 3, uma colher de cada vez” e temos o CD com as músicas que ouvimos lá. A educadora também resolveu tomar medidas. E estou a meio do livro “Aprender a Comer” do Dr. Estivill.
Do livro, farto-me de sublinhar as partes repetitivas sobre o tom de voz, sobre a tranquilidade e os afagos como recompensas. E sobre o não dar mesmo importância às cenas feias se forem mesmo só isso, feias.
E não eram tudo isto coisas que eu já sabia, não?
Pois eram.
Fora aquela insistência em falar sobre “métodos” e “x minutos” para tentativas e mais “y minutos” para aguardar pela nova investida; o Dr. Estivill tem vindo a aparecer sempre na hora certa e só por isso já é um porreiro, para mim.
Agora, alguns excertos que sublinhei:
Se os pais ou educadores prestarem mais atenção às condutas inadequadas do que às adequadas, a criança interpretará que aquelas são as que a mantêm mais vinculadas a eles e repeti-las-á porque se sente mais reforçada.
Jul
10
Comida: A bem ou a mal
Por Paula Almeida Lapa em Opinião | 3 comentários
Vou tendo algumas certezas, cada uma sofrendo ajustes conforme passam os anos. Não concordo com as batalhas do tens-de-comer, mas acho que a sopa é mesmo fundamental. Acredito que cada criança tem o seu ritmo e os seus gostos, mas também sei que quando uma irmã diz que “não quero porque não gosto!” a outra repete fielmente mesmo que seja mentira. Sei que tem de haver espaço para excepções, o que significa que tem de haver muitas normas.
Mãe de duas, já aprendi a ser menos intransigente. Receio é ter chegado a algum excesso de confiança num tal de instinto, quando os episódios de repugnância pela sopa parecem-se mais com fitas muito foleiras só para chatear.
Vive a leite, pão, arroz e fruta. Mais ar e vento… É a última a comer na escola - e isso é argumento suficiente para dizer que não gosta, nem quer ir para a escola.
(sendo que esta é uma questão associada a outra: é muito competitiva e tem pavor do “perder” e do “ser último” ou do “não conseguir”)
A filha mais nova já é um bom bocado ainda mais esquisita. E não me parece nada bem (nem prático!) ter constantemente de jogar com estes apetites e vontades tão próprios de cada uma, só para que comam um chisquinho melhor.
Vai daí, quando vi este livro: “Aprender a comer” * (D. Quixote) como que uma
luz se acendeu na minha cabeça. O polémico Dr. Estivill volta a atacar. E eu, pasmem-se, já segui as suas orientações para melhorar o adormecer e as noites da I, a minha mais velha - e resultou!
Por isso, ainda me passa pela cabeça achar que este livro nos poderá ajudar. Ainda acredito que às vezes é preciso mergulhar no meio de verdades lapalassianas (foi o que senti com o outro livro para ver se nos convencemos de vez.
Depois conto o que achei.
* neste link já se percebe bem do que se trata
[primeiro de uma série de 3 artigos. este primeiro escrevi no início de 2008]
