Jun
24
Miúdos à solta
Por Paula Almeida Lapa em Debate | 8 comentários
Eu não me lembro do dia em que passei a andar sozinha na rua e com as chaves de casa no bolso. Julgo que esse passo para a minha independência foi gradual. Lembro-me, ainda assim, de estar na escola primária e de ser comum ir e vir para casa a pé sem adultos. Só não sei em que ano isso foi comum.
Já passaram uns vinte e tal anos e, querendo ou não, os “tempos são outros”.
Através do blog Obra da Mãe, soube desta história americana. Um miúdo de 9 anos combinou com a mãe passar algum tempo num centro comercial (ou armazém de lojas), o Bloomingdale’s, e regressar a casa pelo metropolitano. Tudo sozinho no coração da cidade de Nova Iorque.
Não fico chocada, nem sequer surpreendida. Mas estou incapaz de dizer, claramente, se daqui a 4 anos um episódio semelhante será possível cá por casa. Aliás, este é um tema que me interessa acompanhar já, mas sobre o qual ainda não consigo formar opiniões seguras.
A questão lançada em Obra da Mãe, sobre a atitude dos pais citadinos em Portugal, também é pertinente: “Só me pergunto é porque é que, se aos 12 ou 13 anos ainda não os deixam andar sozinhos na rua, os deixam frequentar discotecas, à noite, onde se bebem shots em bar aberto.”
A polémica estalou de tal forma nos EUA que a mãe que deixou o filho andar de metro sozinho, Lenore Skenazy (autora de colunas de opinião em vários jornais), foi chamada de ‘America’s Worst Mom’. Vai daí, organizou um blogue onde pede a participação de mais progenitores para “dar às crianças a liberdade que os pais tiveram”: Free Range Kids.
Entretanto, no blog Obra da Mãe o tema foi mais desenvolvido, citando Katie Allison Granju:
“We treat babies and very young children like little adults - expecting them to meet developmental milestones like weaning, solitary sleep, etc much earlier than biology intends - and then we overparent our big kids in ways that prevent them from learning to function independently.”
Nem todos enfiarão a carapuça ao ler estas palavras mas que dão que pensar, dão.
Vivendo perto de uma cidade pequena, percebo alguma diferença na atitude parental junto dos miúdos da aldeia em relação aos da cidade. E ainda mais diferente destes em relação aos de uma cidade maior.
Como para quase tudo, não há idades exactas para começar seja o que for. E questões como a confiança, a responsabilidade e a mentalidade não são fáceis de definir ou assumir.
Ou seja, com tudo isto fica lançado o debate. Acho que vou gostar de ver muitas opiniões sobre o assunto.
[foto daqui]
Outros links (+-) relacionados com o tema:
“O caminho para a escola: uma aventura em segurança” por Amanda Zenhas (Educare.pt)
“Sozinhos em casa” por Cristina Azevedo (IOL Mãe)
“Agora que as aulas vão começar”, conselhos da Direcção-Geral de Viação
“Spring-time safety”, Mãe com dúvidas sobre a descontracção algo excessiva dos outros pais (The Imperfect Parent Blog)