Nov
21
A escola ideal depende também dos pais
Por Paula Almeida Lapa em Actualidade, Livros | 1 comentário
O livro “A Escola Ideal” de Bárbara Wong foi lançado no passado domingo. A jornalista e mãe de dois filhos conversou com o Miudagem sobre esta “viagem” ao sistema de ensino educativo português. E ainda deixou mostrar uma das pequenas histórias que lá são relatadas.

Ver um título como este é achar que a autora foi, no mínimo, ambiciosa: pode lá isso ser possível, existir uma escola ideal? Mas Bárbara Wong, jornalista, esclareceu directamente para o Miudagem: “a escola ideal é a que nós próprios imaginamos, pode ser aquela que construimos na nossa cabeça, a partir da nossa própria experiência como alunos ou do que vamos vendo e vivendo ao longo do tempo. Pode ser um milhão de coisas, tantas quanto as pessoas que existem e pensam sobre o assunto!”
Na verdade, Bárbara Wong deu-nos o seu próprio exemplo. Os seus dois filhos estão na escola que lhe parece ser a ideal “porque os ouve, os respeita, porque ouve os encarregados de educação e pede-lhes para se envolverem, porque oferece uma educação completa e não só as matérias previstas pelo Ministério da Educação”. No entanto, outros pais decidiram retirar de lá os seus filhos por não acharem aquela a melhor escola.
Nov
18
Bebés ecológicos
Por Paula Almeida Lapa em Actualidade | 13 comentários
Rita Quintela é uma mãe-mais-do-que-experiente. Este ano, o 4º filho chegou enquanto a Rita estava mergulhada em ondas ecológicas que a fizeram experimentar o que jamais tinha testado com as outras filhas. Quase quatro meses depois, já é possível fazer um balanço acerca da eficácia das diversas “eco-coisas” em que mãe e bebé se envolveram. Nem tudo correu bem, mas também nem tudo correu mal! Esta foi a nossa conversa, via e-mail.
- Em Maio, escreveste: “Aproveitei para costurar noventa toalhitas de pano e uma dúzia de discos de amamentação. Tudo pronto a usar e a reutilizar.” Entretanto, já disseste que esta tua “alucinação eco-hormonal” de rectângulos de flanela e feltro resultaram mesmo, não foi?
- As toalhitas são formidáveis! De manhã molho e espremo umas 15 (só com água da torneira) e coloco na caixa de toalhitas “normais”. Vou usando ao longo do dia quando mudo fraldas em casa. Na rua uso das descartáveis.
- Por outro lado, no Mãe-Galinha, já descreveste o fracasso das fraldas reutilizáveis…
- É verdade, fiquei mesmo desiludida, caramba! Pouco confortáveis, muito volumosas e, enfim, muitíssimo trabalho. Gostava de experimentar outra vez mas são muito caras, implicam um investimento grande… Não sei se tenho coragem. Teria que tentar outra marca, fazer pesquisas e, acima de tudo, ver com as mãos, o que é difícil porque a maior parte deste tipo de fraldas não se vendem em Portugal e têm que ser compradas on-line.
- Se o único contra fosse o trabalho que essas fraldas dão (e não o desconforto do bebé), continuarias a dar-te ao trabalho?
- Não sei. Depois de ter postado acerca do mal que me saí nesta experiência, recebi dezenas de mails de incentivo a uma nova tentaiva - outras marcas, alguns truques, umas lufadas de eco-consciência. Mas não sei mesmo. Sobretudo, as descartáveis são mais simples e mais rápidas de pôr e tirar; e eu preciso tanto de tempo!
- Quando anunciaste no blog que ias experimentar as fraldas reutilizáveis, não faltaram comentários sobre os aspectos mais negativos e alguns testemunhos de desistências. Tinhas mesmo que passar pela experiência, não era?
- Pois, não liguei mesmo nada a quem me avisou do que podia correr mal. Estava inundada de
hormonas ecológicas! Ao 4º filho, já não há grandes maravilhas numa barriga enorme e pés inchados. Portanto, acho que as minhas hormonas me viraram para a consciência ecológica. Por pouco não me filiei no Greenpeace. Achei mesmo que todas as mães que me estavam a abrir os olhos estavam, na altura, a querer que as minhas crianças crescessem num mundo sujo e poluído (credo… o que a
gravidez nos faz!)
- Foi nesse “delírio” também que costuraste discos de amamentação, como o fizeste? Resultaram?
- Os discos saíram mesmo um flop. Fiz assim - recortei círculos de turco e círculos de tecido fino de
gabardine. Depois costurei um círculo ao outro. [na foto] Mas não ficaram impermeáveis… Aliás, os discos reutilizáveis à venda no mercado (da Medela, por exemplo), que me emprestaram entretanto, também são pouco eficazes. Tenho usado dos descartáveis.
- Mesmo assim, há alguma eco-novidade de que tenhas ouvido falar já depois desta gravidez e que tens pena de não ter tentado?
- Na onda hippie das fraldas ecológicas, comprei um sling. É uma tendência muito naturista, esta coisa do contacto mãe-bebé. Muito bom. Aconselho mesmo. Tentaram fazer-me a cabeça para experimentar massagens e yoga para bebés. De facto, faço massagens ao S. todos os dias depois do banho. Ele tem muitas cócegas e por isso nem se descontrai. Mas nunca fiz nenhum curso, faço as
massagens por intuição, como fiz sempre nas Marias. Yoga era bom era para mim! Para ele acho que não.
——
Alguns links:
The Baby Orchard, Thirsties Baby, Eco Bebés (fornece diferentes marcas), Bambinomio (as que experimentou), EcologicalKids
Out
23
“Os filtros, os miúdos e os conteúdos inseguros
Por Paula Almeida Lapa em Actualidade | 4 comentários
A ler:
Segundo Tito de Morais, “de facto, quando estamos a falar de adolescentes, estes [filtros] geralmente têm já conhecimentos suficientes para desabilitar ou ultrapassar um programa de filtragem de conteúdos”. No entanto, segundo o fundador do Projecto MiudosSegurosNa.Net, “isso não faz com que sejam inúteis”, acrescentando que “os semáforos vermelhos também podem ser ultrapassados e não é por isso que são inúteis”.
Ainda segundo este responsável, “acresce que não são apenas os adolescentes que acedem à Internet. Crianças cada vez mais jovens acedem à Internet e essas geralmente ainda não tem conhecimentos necessários para desabilitar ou ultrapassar os bloqueios desse tipo de software”.
Num artigo do Paulo Querido.
Adenda: e para seguir a convesa, o artigo de Rui Cruz.
Set
15
“Os Meus Livros”: Escolares, Infantis e o Plano Nacional
Por Paula Almeida Lapa em Actualidade | Comente
A revista Os Meus Livros, de Setembro, tem como grandes destaques temas dedicados à miudagem.
Na esmagadora maioria das famílias do país não se deve falar de outra coisa por estas semanas: os livros escolares. Na revista é descrito todo o processo de produção dos manuais. Sendo as editoras dominantes deste mercado, em papel e online, a Porto Editora (a quem pertence o Webboom e a EscolaVirtual) e a Texto Editores (a quem pertence o MediaBooks e Educação).
Andreia Brites escreve um artigo em que confronta a lista de livros recomendada pelo Plano Nacional de Leitura e o serviço prestado pela Casa da Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian. E conclui:
É inegável que a Casa da Leitura é um suporte mais completo, mais suportado em pressupostos de investigação, mais acessível. A sua actualização é semanal. (…) Mas o PLNL não deixa de ser o principal veículo (mais mediático, porque institucional) da chegada dos livros às escolas, de consciencialização para a leitura (ainda que de forma superficial)
O grande destaque, tema de capa da revista Os Meus Livros, “O que lêem as crianças?” contém vários artigos muito interessantes:
. os campeões de vendas (Noddy e Ruca),
. os autores portugueses incontornáveis (Alice Vieira, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, António Torrado),
. como estão a mudar os livros infantis (através dos temas, formas de abordagem e a importância da ilustração),
. os clássicos e os livros animados.
Set
11
Estreantes nas escolinhas
Por Paula Almeida Lapa em Actualidade | 1 comentário
Eu própria tenho uma cria estreante, este ano. Ser a segunda filha e eu já conhecer o infantário é meio caminho andado para transmitir muita maior tranquilidade e normalidade no acontecimento, que não deixa de ser marcante.
Algumas achegas sobre este período de adaptação no artigo “Travão nos medos para um bom começo” no site Educare.
Se os pais estão hesitantes, ainda ponderando alternativas reais ou imaginadas, se não confiam no jardim-de-infância, mais facilmente os filhos encontram nessa ambivalência a força para resistirem. Confiança nas suas decisões, confiança no filho e na instituição ajudam os filhos a sentirem confiança em si próprios e, portanto, a reagirem melhor à separação.
Ago
1
Internet: Riscos
Por Paula Almeida Lapa em Actualidade | 1 comentário
Uma publicidade dirigida aos pais pela IG Prental Control (via PubAdicct).
Eu que o diga, a Internet é uma belíssima fonte de informação e um excelente espaço de partilha. Julgo ter “radares” relativamente calejados para filtrar situações de risco. Que as há.
Há tempos vi uma referência a um video do YouTube onde se demonstrava que 4 telemóveis em modo bluetooth transformavam milho em pipocas. Hoje tentei encontrar esse site onde vi desmascarada a situação que não passava de uma encenação. Fiz uma pesquisa pelo Google e só apareceram referências ao video que o consideravam como verdade verdadinha.
Só depois de muito vasculhar, encontrei o que procurava: Grandes erros: Fazer pipocas com telemóveis, onde a argumentação e os respectivos links, além dos autores, me levam a confiar na informação.
Se há zona para manter os miúdos com rédea curta e hiper-vigiados, ou pelo menos onde devemos meter o bedelho com muita frequência, será na Internet. Ou não? :/
Jul
22
Internet: “Manipulação das crianças”
Por admin em Actualidade | 1 comentário
por Carlos José Teixeira (do blog Comunicação Empresarial) *
O Helder Encarnação aponta para o artigo do Sol intitulado”Sites ‘amigos’ das crianças ‘manipulam’ os mais jovens“, onde é abordado o estudo lançado pela Consumer Reports e pela Mediatech Foundation, segundo o qual as crianças acedem à Internet a partir dos dois anos e meio, consultando sites “moderadamente” ou “muito comercializáveis”, segundo o divulgado pelo Vnunet, que divulga o estudo.Estes sites, incluindo os de jogos online, promovem a ideia de consumismo recorrendo às mais diversas técnicas de persuação. A mais utilizada é a que segue o modelo de “recompensa pelo trabalho”, premiando as crianças com pontos ou acessórios que lhes permite “comprar” itens - roupa, maquilhagem, televisores, etc. - para os seus animais virtuais de estimação ou para os seus avatares. Uma das técnicas mais agressivas é a que deixa que as crianças disponham de ferramentas de alta qualidade durante a sua utilização e, na altura em que querem guardar o seu produto ou criação, lhes é apresentada a mensagem que as informa ser necessário um pagamento para que as possam guardar.
Warren Buckleitner, editor da Children’s Technology Review e autor do relatório afirma que “… após assistir a dez horas dos típicos jogos online, nós ficamos chocados com a extensão do comportamento manipulativo.” Buckleitner acrescenta ainda que “O estudo demonstra que nem os pais nem os publicadores sabem o que acontece realmente quando as crianças navegam na net. Idealmente, os sites de crianças deveriam ser desenhados por pessoas com uma formação sobre o desenvolvimento das crianças e não com MBAs.” Uma vez mais, os pais são chamados, desta feita por Beau Brendler, director da Consumer Reports, a monitorizar online as acções dos seus filhos, averiguando quais os seus sites preferidos.
A meu ver, este tipo de prática não é, infelizmente, tão anormal quanto possa parecer. Se pensarmos bem, não é somente na Internet que isto se passa, bastando um passeio pelo hipermercado para observar comportamentos semelhantes. Condenável sob todos os aspectos, este tipo de marketing é dirigido a quem não tem hipótese de se defender deste tipo de atitude agressiva. Invasivo, é um marketing que não hesitará mesmo contornar a supervisão dos pais, fornecendo para tal as ferramentas necessárias às crianças e que lhes permitam fugir ao despiste do histórico no browser. Não são raros os sites que explicam como fazer isso às crianças e, observando e ligando as coisas com alguma atenção, poderemos chegar à conslusão que estes sites não são tão inocentes como isso e que poderão revelar ligações a empresas ou produtos. De clique em clique, as crianças acabam por lá ir parar.
Cabe-nos a nós, enquanto consumidores dos produtos e da Internet, assegurarmos a devida regulação desta actividade. A melhor forma é o protesto veemente, por e-mail, por denúncia na blogoesfera [lembram-se da campanha da cerveja hetero?], por medidas mais censórias como o bloqueio do browser a esses sites. E cabe-nos, sobretudo, o esforço de não cairmos nós próprios na esparrela…
* obrigada pela republicação aqui no Miudagem.


