Festas de anos com brindes

Por Paula Almeida Lapa em Debate, Ideias | 5 comentários 

É um facto: na maioria dos infantários, os meninos aniversariantes levam o bolo de anos e uma “surpresa” para os colegas. Não faço a menor ideia de onde surgiu esta tradição, mas que existe, existe.

Desde logo me pareceu ser um gesto algo despropositado - a criança faz anos e tem de oferecer alguma coisa aos amigos?! Acresce ainda o facto de quase todas essas lembranças consistirem em pequenos sacos de guloseimas sortidas…

Enfim, apesar de tudo isto, nos dois momentos em que tive de decidir o que fazer, acabei por levar as surpresas. Em Abril deste ano fiz estes livrinhos, no ano anterior preparei uns livrinhos parecidos mas em cada página tinha uma figura impressa para colorirem.

(Este ano, verdade seja dita, já notei uma enorme diferença na diversidade das surpresas - poucos doces.)

Estou para aqui a falar disto agora por causa desta ideia aqui. E porque dentro de, mais ou menos, 15 dias tenho de decidir o que fazer no primeiro aniversário que a minha mais pequena passará na escola.

Opiniões? Ideias?

Eu não sou grande exemplo para falar sobre a televisão e os miúdos. Ou melhor, sou eu que lhes escolho/limito o tipo de programas ou canais e estou sempre por perto enquanto as filhas estão a ver desenhos animados. Mesmo assim, sei que ligo muito o televisor para quase todas as ocasiões domésticas… e, com frequência, o aparelho fica ligado por esquecimento.

(o meu defeito está na quantidade, não na qualidade - sobretudo durante o Inverno…)

Nos últimos dias tenho apanhado este tema, sobre conteúdos e hábitos, em variados sítios:

- para ouvir, uma rubrica da TSF;

- um blog inteiro dedicado à TV e um texto que desenvolve o assunto “Televisão e a Criança

- a propósito de uma reportagem no Público que já não está acessível (”Televisão entra cada vez mais cedo no quarto das crianças”, 23Jun2008) a Emiéle escreveu um, dois e três posts, muito debatidos nos comentários;

- nesta lista estão 33 segredos para uma boa noite de sono, sendo a 5ª retirar a televisão do quarto;

- de uma sondagem americana sobre a qualidade do sono das famílias, saiu esta conclusão:

School-aged children are the most likely to have a television in their bedroom (43%), although parents/caregivers report nearly one-third of preschoolers and even 20 percent of infants and toddlers have a television in the bedroom. The poll finds children with a television in their bedroom go to sleep almost 20 minutes later and sleep less than those without a television in their bedroom (9.2 vs. 9.6 hours/night), a loss of more than two hours of sleep a week.

Pronto, confesso que era aqui que queria chegar. Quando se fala de televisão e crianças, insiste-se sempre na quantidade de horas e na qualidade de conteúdos (o que é justo, claro). Não é tão frequente falar-se na possibilidade de ser causadora de distúrbios do sono, em miúdos e graúdos.

De facto, a regra mais rígida cá em casa é: as filhas não vêm televisão (dvd ou canais ou programas para miúdos) a partir da hora do jantar. E repugna-me a ideia de haver uma televisão num quarto de dormir (mesmo no do casal).

Só posso ter sido profundamente influenciada pelos meus pais. Aliás, só já depois dos meus 30 ouvi o meu pai (neurologista) dizer: “O quarto é apenas para dormir e amar”. Frase que fazia parte de um folheto que dava aos doentes com regras da Higiene do Sono.

Eu cá nem sabia que o sono tem higiene

 

Miúdos à solta

Por Paula Almeida Lapa em Debate | 8 comentários 

Eu não me lembro do dia em que passei a andar sozinha na rua e com as chaves de casa no bolso. Julgo que esse passo para a minha independência foi gradual. Lembro-me, ainda assim, de estar na escola primária e de ser comum ir e vir para casa a pé sem adultos. Só não sei em que ano isso foi comum.

Já passaram uns vinte e tal anos e, querendo ou não, os “tempos são outros”.

Através do blog Obra da Mãe, soube desta história americana. Um miúdo de 9 anos combinou com a mãe passar algum tempo num centro comercial (ou armazém de lojas), o Bloomingdale’s, e regressar a casa pelo metropolitano. Tudo sozinho no coração da cidade de Nova Iorque.

Não fico chocada, nem sequer surpreendida. Mas estou incapaz de dizer, claramente, se daqui a 4 anos um episódio semelhante será possível cá por casa. Aliás, este é um tema que me interessa acompanhar já, mas sobre o qual ainda não consigo formar opiniões seguras.

A questão lançada em Obra da Mãe, sobre a atitude dos pais citadinos em Portugal, também é pertinente: “Só me pergunto é porque é que, se aos 12 ou 13 anos ainda não os deixam andar sozinhos na rua, os deixam frequentar discotecas, à noite, onde se bebem shots em bar aberto.”

A polémica estalou de tal forma nos EUA que a mãe que deixou o filho andar de metro sozinho, Lenore Skenazy (autora de colunas de opinião em vários jornais), foi chamada de ‘America’s Worst Mom’. Vai daí, organizou um blogue onde pede a participação de mais progenitores para “dar às crianças a liberdade que os pais tiveram”: Free Range Kids.

Entretanto, no blog Obra da Mãe o tema foi mais desenvolvido, citando Katie Allison Granju:

“We treat babies and very young children like little adults - expecting them to meet developmental milestones like weaning, solitary sleep, etc much earlier than biology intends - and then we overparent our big kids in ways that prevent them from learning to function independently.”

Nem todos enfiarão a carapuça ao ler estas palavras mas que dão que pensar, dão.

Vivendo perto de uma cidade pequena, percebo alguma diferença na atitude parental junto dos miúdos da aldeia em relação aos da cidade. E ainda mais diferente destes em relação aos de uma cidade maior.

Como para quase tudo, não há idades exactas para começar seja o que for. E questões como a confiança, a responsabilidade e a mentalidade não são fáceis de definir ou assumir.

Ou seja, com tudo isto fica lançado o debate. Acho que vou gostar de ver muitas opiniões sobre o assunto. :)

[foto daqui]

 

Outros links (+-) relacionados com o tema:

“O caminho para a escola: uma aventura em segurança” por Amanda Zenhas (Educare.pt)

“Sozinhos em casa” por Cristina Azevedo (IOL Mãe)

“Agora que as aulas vão começar”, conselhos da Direcção-Geral de Viação

“Spring-time safety”, Mãe com dúvidas sobre a descontracção algo excessiva dos outros pais (The Imperfect Parent Blog)