Out
31
Desde que começámos o Miudagem, tenho muita vontade de partilhar aqui algumas das músicas que ouvimos em família. Pensei que não tinha os meios técnicos necessários comigo (nem conhecimento suficiente para tentar descobri-los), e realmente não foi fácil, mas hoje consegui estrear essa “ferramenta”.
Eu gosto de ouvir música com elas, sobetudo no carro. E sou das que nem se importa de ouvir quase sempre os albúns infantis para lhes agradar. Mas sou exigente e, só por isso, consigo suportar as vezes-sem-conta que alguns temas se repetem.
Isto da música (como a roupa, o calçado ou mesmo os livros…) tem muito de relativo quanto aos gostos. E mesmo não querendo influenciar demasiado, influenciamos mesmo quando tentamos não o fazer.
Assim, tal como li no livro Andakibebé (Campo das Letras), ainda eu era uma mãe muito recente, aquilo que é realmente importante e essencial é que se escolha o que é bom, o que tem qualidade. (eu tenho o livro ao meu lado, mas não posso citá-lo porque esta parte vinha num destacável “para os pais” que não consigo encontrar) A ideia é que, para além do gosto por determinadas canções ou géneros específicos, se conte com as boas interpretações.
Mesmo tendo esta ideia como permissa para o que escolho ouvir com elas, não me livrei de ter que ouvir coisas que acho, de facto, más. Não é só o não gostar, é ser musicalmente mau e pobre. Mas é ao ouvi-las também que vão entender as diferenças entre as diversas “qualidades” musicais.
Para além das especificamente infantis, há muitas músicas que não foram feitas a pensar nas crianças que as crianças conseguem apreciar e conseguem divertir-se enquanto as ouvem.
Temos tido momentos muito divertidos com os Police ou com o Lenny Kravitz. Os originais - desconfio muito das re-interpretações feitas para os miúdos (como as que são editadas pela Ouveste, por exemplo) porque, na verdade, são novos temas e só agradará a quem gostar daquela nova sonoridade…
Espero que isto não soe muito arrogante. Não sou especialista na matéria sequer… E espero só que ao partilhar as nossas músicas, mais músicas venha a conhecer para diversificarmos o nosso repertório.
O último hit que tem tocado vezes-sem-conta no nosso carro é o que se pode ouvir a seguir:
Georgia Manso - Doralice
(não contava estrear-me aqui com uma música deste género, mas acho que merece. a próxima deve ser infantil.)
Out
1
Foi das primeiras longas-metragens que vimos como pais e, ainda hoje, o Madagáscar continua ser dos meus filmes de animação preferidos.
A dobragem para o português está excepcional, os animais com poses humanas mas com elasticidades impossíveis, as personalidades das personagens (o leão medricas, a girafa hipocondríaca,…), enfim, e foi visto tanta e tanta vez que, toda a banda sonora e muitas das frases-que-ficam-para-todo-o-sempre (”é sorrir e acenar, é sorrir e acenar…”) ficaram cunhadas aqui na alminha de um modo especial.
Ora, quem viu o Madagáscar original sabe que, com aquele final, SÓ podiam fazer um segundo.
(ao contrário das Cinderelas ou Bambis, cujas sequelas considero afrontas aos clásssicos originais)
O Madagáscar 2 já tem estreia marcada (27 de Novembro) e até já vi a apresentação no ecrã gigante. Receio ter uma grande desilusão por manter o primeiro filme num alto pedestal. Resta-me esperar que os três anos de intervalo sejam um sinal positivo.
Ago
11
Fomos ver o “Panda Kung Fu“.
Bom, antes de mais, desaconselho a quem tenha miúdos já ligeiramente agressivos, enérgicos e altamente activos.
Os passos de kung-fu da minha filha mais velha na hora a seguir ao filme não estavam lá muito perto daquela área simpática do “faz-de-conta”…
Valeu muito (para nós pais) por vários provérbios orientais lá referidos. Como este:
“Ontem já foi. Amanhã é um mistério. Hoje é uma dádiva. … É por isso que lhe chamamos presente.”
Curioso, e interessante, é verificar que faz ainda mais sentido em português.
Jul
28
Dar de mamar
Por admin em Opinião | 1 comentário
por Ana Rute Cavaco (3 filhos) *
Já nem sei há quantos meses ando para escrever algo sobre este assunto, mas nunca me sai nada, com as palavras certas. Agora que ando num dilema sobre se aceito ou não um convite para ser formadora de amamentação, apetece-me falar sobre isto, porque talvez tanta gente se possa identificar com isto, ou entender melhor que uma experiência não são todas.A minha experiência a triplicar diz-me várias coisas: a primeira, que a primeira experiência de amamentação se pode repetir à segunda e mais, as mesmas dores, os mesmos primeiros dias complicados, a mesma vontade de desistir. Só o conhecimento dos benefícios me fez continuar. Só quem me viu nas primeiras semanas ou sentiu poderá compreender que, comigo, ter prazer na amamentação é um momento que demora a chegar, ou nunca chega.
Segundo: cada filho é um filho, e tive nos meus três provas inequívocas de que é possível engordar pouco ou muito nas mesmas fases, ter vontade de mamar durante períodos de 40 minutos ou mais.
Terceiro: adoro ter os meus filhos nos braços, observá-los e estar com eles. E não tem de ser a amamentar.
Quarto: notei que com mais do que um filho tinha ainda mais dificuldade em gerir sentimentos de culpa por falta de atenção, por estar só com o mais novo. Daí que a minha meta, nestes dois últimos filhos, tenha sido o amamentar em exclusivo até ao recomendado.
Quinto: no meu caso, e por sentir que muita coisa depende de mim em termos de logística em casa, ter um bebé a mamar grandes períodos de tempo com outro filho a reclamar comida ou atenção mexe-me com o sistema nervoso. Ouvir chorar, por exemplo, agita-me.
Sexto: nem todos os bebés que mamam permanecem sempre interessados. Na Maria, mais velha, esse desinteresse chegou pelos 10 meses; na Marta chegou bem cedo, com as crises constantes de falta de ar que tinha.
Sétimo: cada caso é um caso e generalizar a partir de uma experiência só é injusto e perigoso.
Se por um lado gostava de poder ajudar quem tem todos esses sentimentos nos primeiros tempos, por outro também gostava de ser uma ajuda para quem tem de desistir quando tem mesmo de ser. Na minha opinião, outros valores podem sobrepor-se ao dos benefícios do leite. Lamento, mas eu acho assim. Para tudo tem de haver um equilíbrio. Eu encontrei-o aqui, embora tantas vezes me sinta julgada exteriormente por quem acha que por ir mais além nesta área está à frente.
Limpo as lágrimas quando me sinto julgada e olho para os meus filhos e sei que foi o melhor. E este melhor já foi tão bom.
* obrigada pela publicação aqui - a sensatez desta opinião justifica-o.
Jul
21
Comida: A bem ou a mal, 3
Por Paula Almeida Lapa em Opinião | 2 comentários
Ao refazer estes artigos a propósito do livro “Aprender a Comer”, apercebi-me que o pior que estava a acontecer cá em casa não era, de facto, as miúdas andarem a comer assim tão pouco, nem tão mal.
Passámos uma fase de ódio à sopa e, isso sim, tirava-me do sério. Bem como o mau comportamento à mesa. Modos rudes, levantar por tudo e por nada, gritarias diversas, brincadeiras despropositadas, enfim… Um desassossego.
Não passei a andar de cronómetro na mão. Mas consegui passar a engolir vários suspiros desesperados. Acho impossível estar sempre com palavras simpáticas quando as aneiras se sucedem.
A maior regra passou a ser: ou comem a sopa, ou não comem mais nada. Não foi fácil assistir às choradeiras, gritos, amuos e insultos variados que aconteceram inúmeras vezes, por parte das duas.
(dizer “não foi fácil” é uma forma muuuito simpática de classificar esses momentos)
Os “prémios” também passaram a ser mais oferecidos. Não por comerem a sopa, mas pelo comportamento. E é duro recusar dar o prémio a uma e não a outra. Mas aconteceu. E vai resultando.
Como já disse, nos “livros para pais” que vou encontrando não aprendo nada de realmente novo. Mas assumo que fico sempre mais tranquila - ou por confirmar que costumo ter alguma razão
, ou por entender melhor as reacções das crias. Não sei, é como encontrar várias pistas que me empurram para algumas atitudes com mais segurança…
Hoje em dia, as coisas estão muito mais calmas. Por tudo isto que descrevo e, também, porque a mais velha entrou numa fase absolutamente de-vo-ra-do-ra!
Come que se farta, mesmo que torça sempre o nariz à sopa. (até nos beliscamos quando ouvimos da nossa boca: “tens a certeza que queres mais?!” )
E como o exemplo fraternal é uma coisa muito poderosa, a mais nova vai tentando corresponder.
Ora toma.
Jul
16
Comida: A bem ou a mal, 2
Por Paula Almeida Lapa em Opinião | 2 comentários
Vou a meio do livro e a criança teve um comportamento tão exemplar quanto inesperado no jantar de ontem. Comeu três (3!) pratos de sopa e explicou, com detalhe, que foi no dia em que a educadora não a deixou deitar fora os bocadinhos (minúsculos) de legumes que aprendeu a fazer um esforço grande e a engolir tudo de vez e que agora não é a última na escola e que come tudo até ao fim.
Eu não fiz nada. Quer dizer: fomos todos juntos ver o espectáculo “1, 2, 3, uma colher de cada vez” e temos o CD com as músicas que ouvimos lá. A educadora também resolveu tomar medidas. E estou a meio do livro “Aprender a Comer” do Dr. Estivill.
Do livro, farto-me de sublinhar as partes repetitivas sobre o tom de voz, sobre a tranquilidade e os afagos como recompensas. E sobre o não dar mesmo importância às cenas feias se forem mesmo só isso, feias.
E não eram tudo isto coisas que eu já sabia, não?
Pois eram.
Fora aquela insistência em falar sobre “métodos” e “x minutos” para tentativas e mais “y minutos” para aguardar pela nova investida; o Dr. Estivill tem vindo a aparecer sempre na hora certa e só por isso já é um porreiro, para mim.
Agora, alguns excertos que sublinhei:
Se os pais ou educadores prestarem mais atenção às condutas inadequadas do que às adequadas, a criança interpretará que aquelas são as que a mantêm mais vinculadas a eles e repeti-las-á porque se sente mais reforçada.
Jul
10
Comida: A bem ou a mal
Por Paula Almeida Lapa em Opinião | 3 comentários
Vou tendo algumas certezas, cada uma sofrendo ajustes conforme passam os anos. Não concordo com as batalhas do tens-de-comer, mas acho que a sopa é mesmo fundamental. Acredito que cada criança tem o seu ritmo e os seus gostos, mas também sei que quando uma irmã diz que “não quero porque não gosto!” a outra repete fielmente mesmo que seja mentira. Sei que tem de haver espaço para excepções, o que significa que tem de haver muitas normas.
Mãe de duas, já aprendi a ser menos intransigente. Receio é ter chegado a algum excesso de confiança num tal de instinto, quando os episódios de repugnância pela sopa parecem-se mais com fitas muito foleiras só para chatear.
Vive a leite, pão, arroz e fruta. Mais ar e vento… É a última a comer na escola - e isso é argumento suficiente para dizer que não gosta, nem quer ir para a escola.
(sendo que esta é uma questão associada a outra: é muito competitiva e tem pavor do “perder” e do “ser último” ou do “não conseguir”)
A filha mais nova já é um bom bocado ainda mais esquisita. E não me parece nada bem (nem prático!) ter constantemente de jogar com estes apetites e vontades tão próprios de cada uma, só para que comam um chisquinho melhor.
Vai daí, quando vi este livro: “Aprender a comer” * (D. Quixote) como que uma
luz se acendeu na minha cabeça. O polémico Dr. Estivill volta a atacar. E eu, pasmem-se, já segui as suas orientações para melhorar o adormecer e as noites da I, a minha mais velha - e resultou!
Por isso, ainda me passa pela cabeça achar que este livro nos poderá ajudar. Ainda acredito que às vezes é preciso mergulhar no meio de verdades lapalassianas (foi o que senti com o outro livro para ver se nos convencemos de vez.
Depois conto o que achei.
* neste link já se percebe bem do que se trata
[primeiro de uma série de 3 artigos. este primeiro escrevi no início de 2008]
Jul
8
Há dias vi que o “Carrossel Mágico” voltou a dar na televisão. Os bonecos são todos feitos a computador. Acho que não têm um pingo de personalidade e parece-me que a magia foi-se por completo. Podia ser qualquer outro programa…
E enquanto procurava por referências ao velhinho “Carrossel Mágico”, vejo que não correspondo ao antigo espectador: não vivi nos anos 60, nem estou na casa dos 40.
Claro que o YouTube é que me deu as imagens originais: aqui, por exemplo.
Jun
23
Açúcar amargo
Por Paula Almeida Lapa em Opinião | 6 comentários
Há uns meses, pela primeira vez, a minha filha mais velha viu os “Morangos com Açúcar”.
Aqui em casa não vemos novelas por pura falta de hábito. E olho com suspeição para as que se dirigem aos “mais jovens”. Sabendo que atirar para cima dos miúdos com a proibição total não é a melhor jogada, tenho de acreditar que devemos ser selectivos e, sim, censurar q.b. o que não nos parece de boa qualidade e de interferência duvidosa.
Pelo que ouço e vejo, há muitas crianças pequenas que assistem com alguma regularidade a esta série. Não sei dizer até que idade a considero pouco recomendável, falando só pelos temas do enredo geral. Já pela qualidade da produção em si, enfim, diria que é dispensável para todas as idades.
Pois bem, assim que acabou o episódio da novela da TVI, a minha filha que ainda não tinha feito 5 anos lançou-me olhares de desdém por cima do ombro, respondeu-me torto, bem à maneira de uma adolescente rebelde, e avisou-me:
- Sabes, mãe, quando eu for mais velha e mentir à minha amiga e a minha amiga ficar chateada comigo, eu vou ficar triste com ela e a mãe vai perguntar o que eu tenho e depois não te quero dizer e depois lá te conto e depois tu dizes não sei o quê e eu vou para o meu quarto sozinha chateada e ponho as mãos na cara e encosto-me à parede!
E ora toma. Aprendem bem e rápido.
Para mim, bastam bem as teimosias e os desafios de um criança normal que já apanhou jeitos teatrais suficientes, dos contos de fadas, para armar autênticas tragédias de faca e alguidar para cima dos pais.
Para a paz doméstica, os amigos d’”A Ilha das Cores”, ainda que bastante insossos aos meus ouvidos, acertam em cheio no entretenimento e mensagens adequadas.
Ao ver a I rir à gargalhada com uma trapalhice do “Manel”, a dançar ao ritmo da voz de cana rachada da “Palmira” e a responder bem alto às perguntas que fazem lá para casa, percebe-se bem qual é o seu programa-alvo.
(E se pensarmos na produção nacional, em televisão, parece evidente faltar algo que se adeque, e agrade, aos miúdos mais-crescidos-mas-não-tão-crescidos-assim)




